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Cães possessivos e dominantes

Publicado em 30 de May de 2013 por Fernanda Ruiz Comentar

Aprenda o que fazer se você tem um cãozinho pequeno, mas muito possessivo e dominante

Texto: Carla Gasparetto / Foto: Vanessa Fermino

Foto: Vanessa Fermino

Mal-humorada, mandona e dominante. É assim que Andrea Sasso descreve sua pequena Rose, de 2 anos, da raça Spitz Alemão. Com o marido, Paulo Sérgio Martinelli, Andrea divide a tarefa de cuidar de Rose e de outros dois cães: Kimba, de 2 anos, um outro Spitz Alemão, e Raíssa, de 7 anos, uma amorosa Pit Bull. “Rose é a chefe da casa. Ela manda inclusive na Raíssa, que é bem maior que ela. É tão possessiva que não deixa os outros chegarem perto de mim”, conta a dona, que até deixou de trabalhar para cuidar da trupe canina.

 

RETOMANDO AS RÉDEAS

Entre tantas queixas, o casal pediu ajuda a Richardson Zago, da Zago Adestramento. “Muitas vezes esse problema está relacionado à vida moderna, ou seja, atualmente as pessoas trabalham por muitas horas e, quando chegam em casa, mimam o cão para suprir a falta que fizeram ao longo do dia. Isso acontece principalmente quando o cão é de pequeno porte. Com uma aparência frágil, os menores são sobrecarregados com afagos e muito colo. O resultado é desastroso, pois o animal sente que comanda os donos e passa a exigir cada vez mais atenção”, explica. Ainda segundo Zago, quem mima em excesso cria um cão frustrado, dependente e com tendência a ter ansiedade de separação – síndrome causada pela perturbação envolvendo o afastamento de pessoas importantes para o animal. Quando o pet é muito mimado, os donos também podem sofrer as consequências desse problema. O conflito começa com os latidos constantes, mas passa a ser realmente prejudicial quando afeta  diretamente a vida social dos proprietários. “Ao perceberem que seu bicho de estimação fica triste quando estão fora de casa, muitos donos optam por não sair frequentemente e não viajar. O cachorro associa os latidos com a presença dos donos e percebe, mais uma vez, que é ele quem comanda”, comenta o adestrador. 

MAS NÃO É SÓ MIMO

Zago explica que a disputa pela hierarquia entre os cães é natural. Nessa “briga”, segundo o adestrador, o dono só deve interferir se os peludos passarem dos limites. Ou seja, enquanto eles ficarem só nas mordidinhas, tudo bem, o que não pode haver são rosnados e dentes à mostra, aí o tutor tem de interferir e separá-los. Nesse contexto, o adestrador orienta que o dono deve se manter acima dessa “hierarquia interna” e se posicionar como o líder de todos. “Na presença do dono eles devem obedecer somente a ele”, enfatiza. Além disso, o adestrador explica que uma situação que reforça a liderança dos menores é o fato de que, por serem pequenos, os proprietários os protegem dos maiores, no intuito de evitar acidentes. Porém, adotando essa postura, ao deixá-los a sós, sem a proteção humana, o risco de ocorrerem brigas é muito maior. Zago ainda esclarece que o principal momento de disputa de liderança acontece na hora das refeições, quando “o candidato a cão dominante” tenta se impor comendo a ração do outro e impedindo que ele se alimente, comportamento que pode acabar em uma agressão bem mais séria. “E nessas situações o proprietário nunca sabe quem está certo ou errado e acaba punindo aquele que está tentando morder o outro, reforçando assim a liderança de um deles”, exemplifica. 

POSTURA DE LÍDER

Para o médico veterinário e terapeuta comportamental canino Marcel Perez Pereira, a postura de líder precisa partir do dono. “O cão deve ter limites. Se os donos têm a regra de não subir no sofá, por exemplo, é muito importante que não cedam aos olhares e afagos do animal. Uma vez colocado um objetivo, siga adiante, pois só assim ele saberá que quem manda é você”, ensina. Para o veterinário, o hábito de pegar o cão no colo deve ser exercido com cautela. “É muito comum as pessoas suprirem a própria carência oferecendo carinho diversas vezes para o cão. Esse comportamento, a longo prazo, o transforma em um ser possessivo. Quando estiver no chão ou sozinho em casa, ele latirá demais e, quando estiver com o dono, não deixará mais ninguém chegar perto”, conta. Ainda segundo ele, a culpa é sempre dos donos. “São eles que devem mudar o comportamento e não o contrário”, alerta. 

SEU FILHOTE É DOMINANTE?

Para identificar se o seu filhote é ou não o dominante da ninhada Zago dá a dica: “Eles são os primeiros em tudo - mais ativos, abrem os olhos primeiro e aprendem a andar antes dos demais.” Ainda segundo ele, um filhote não deve ter acesso a todos os cômodos da casa. “Na matilha todos os cães têm direito a um território, mas os únicos que podem explorar o local completo são o macho e a fêmea dominantes, que reservam um espaço só deles. Na prática, esse deveria ser o quarto do dono - um local onde o cão é proibido de entrar, se sentindo submisso.”

 

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