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Seu cão é um destruidor de objetos?

Publicado em 22 de Feb de 2013 por Fernanda Ruiz Comentar

Ajude o seu cão a enfrentar as longas horas monótonas em que você se ausenta sem destruir metade de suas coisas

Texto: Caroline Martin / Foto: Shutterstock

Geralmente os cães destroem os objetos quando estão com tédio

Foto: Shutterstock

 

A volta para casa depois do expediente da família de Lucas Moreira da Silva, 22 anos, de Atibaia-SP, é sempre marcada pela agitação do cachorro, um Golden Retriever de 1 ano e 10 meses chamado Frank. Quando os donos chegam em casa, o peludo pula, brinca e corre até ficar ofegante. Mas as maneiras de chamar a atenção não param por aí: Frank apela para estripulias. “Ele já destruiu vasos de planta e rasgou pares de chinelos”, lista Lucas. Se o comportamento de Frank lhe parece familiar, saiba que as atitudes sinalizam uma situação comum entre cães destruidores e que passam quase o dia inteiro sozinhos em casa ou no aparamento: o animal está muito entediado. “O tédio é causado pelo baixo estímulo que o cão recebe, seja por um ambiente monótono ou pela ausência dos donos”, informa o zootecnista Renato Zanetti, proprietário da creche Dog Solution. Há aqueles que ficam mais hiperativos, os que latem compulsivamente, os que se lambem por horas a fio, desencadeando dermatite por lambedura ou queda excessiva de pelos, e, por fim, os que gastam energia destruindo mobílias e objetos da casa. Em todos os casos, a saúde e o bem-estar dele ficam ameaçados. “Quando ele percebe que o único momento do dia em que acontece algo diferente é a horada chegada do dono, acaba extravasando toda a energia acumulada no pouco tempo de interação, tornando-se inconveniente”, detalha Leonardo Ogata, adestrador da Tudo de Cão. Para resolver isso, é preciso tratar a causa-raiz do problema: espantar o tédio e fazer com que ele gaste a energia de outra forma, sem descontar a frustração em seus objetos pessoais!

REFEIÇÕES CRIATIVAS

Oferecer as refeições diárias do cão nos tradicionais potinhos de ração é meio caminho andado para o tédio. “O cachorro sabe que a comida está ali e não precisa enfrentar nenhum desafio para encontrá-la”, justifica Zanetti. Para reverter o quadro, o zootecnista ensina a dividir a quantidade total de ração que o animal está acostumado a comer em partes, espalhando-as por diferentes locais da casa. “A necessidade de procurar o alimento já é um estímulobastante interessante ao cão”, garante. Mais uma maneira de aproveitar a hora das refeiçõesé desafiar o cachorro com atividades mentais. “À noite, a ração pode ser oferecida como recompensa pelo cumprimento de uma ordem”, sugere Ogata.

AMBIENTE MAIS RICO

É possível – e necessário – enriquecer o ambiente do animal, fazendo-o manter a curiosidade em alta. O quintal de uma casa ou a varanda de um apartamento ficam muito mais estimulantes com a presença de alguns obstáculos. Um caixote de madeira, deixado despretensiosamente no quintal, gera curiosidade e permite que o cachorro tenha escolhas. “Ele pode subir ali e ter outra visão do espaço, pode pular o obstáculo, ou ainda entrar nele para se esconder”, exemplifica Zanetti. Richardson Zago, da Zago Adestramento, em São Paulo-SP, frisa outro aspecto importante que o dono deve ter em mente: evitar que o espaço em que o cachorro em questão vive se transforme em sua única realidade. “O animal precisa de outros estímulos, além dos que encontra na própria casa, incluindo visuais e olfativos, encontrados facilmente nas ruas”, ressalta, incentivando a prática regular de caminhadas. 

DIVERSÃO AO ROER

Roer é um hábito de grande entretenimento para os cães. “Quando o objeto vai se desfazendo, libera novos pedaços para serem roídos e gera odores e gostos diferentes, sendo um excelente passatempo”, observa Zanetti. Para livrar o chinelo e os demais calçados da sua casa da mira dos roedores em potencial, a estratégia mais eficaz é oferecer alternativas próprias para serem roídas, pois, num local sem essas opções, o animal recorre ao que encontra pela frente. Ao oferecer brinquedos com a finalidade de serem destruídos, é importante dar atenção ao cão. “É uma forma de fazer com que ele associe esses objetos com recompensas. Com o tempo, o cão entende que os brinquedos geram mais atenção por parte do dono e tende a buscar por eles”, explica Zanetti. Outra dica, diz Zago, é utilizar produtos que deixam um gosto amargo nos objetos, à venda em pet shops. “Vale ressaltar que eles não resolvem o problema, apenas são complementos para o treinamento”, acrescenta ele.

BRINQUEDOS CERTOS

É um engano pensar que basta espalhar brinquedos pela casa ou pelo quintal para combater o tédio entre os bichos. O primeiro erro comum é oferecer inúmeras opções de uma única vez. “Deixar os objetos sempre disponíveis faz com que o pet perca o interesse por eles”, afirma Zanetti. Para preservar a diversão, o conselho do zootecnista é variar a oferta: se em uma semana o animal está brincando com ossos flexíveis, na outra, tire-os de cena e substitua por um bicho de pelúcia. “Todos os jogos devem estar ligados ao instinto do cão, ou seja, devem estar ligados à caça”, diz Zago. Incluir alternativas criativas na lista de brinquedos também traz benefícios ao bem-estar do pet. “Um coco verde vazio pode render uma longa brincadeira”, indica Zanetti. Vale atentar a mais um detalhe na hora de escolher brinquedos para os pets: alguns deles são mais bem aproveitados na companhia do dono. “O cão gosta que o dono interaja com ele”, reforça Ogata.

ESTIMULE A FERA

Passeios diários valem como exercício, destaca Ogata, mas eles precisam ter uma intensidade moderada ou intensa. Assim, o cão ficará visivelmente cansado”, define como sendo o estágio ideal. Normalmente, filhotes têm mais energia a gastar, exigindo um tempo maior de atividade e uma atenção mais dirigida do dono. Mas isso não significa que a prática de exercícios possa ser dispensada em outras fases da vida. Se a agenda apertada nem sempre permite passeios da forma apropriada, é válido pensar em contratar serviços próprios para esse fim. Além disso, sempre que oferecer um brinquedo novo, é importante certificar-se de que ele está brincando da maneira correta e não corre o risco de se machucar.

INVISTA NO SOCIAL

Interagir com outros cães e pessoas fora do convívio habitual é mais uma estratégia eficaz no combate ao tédio. Parques e praças são ótimas alternativas para cumprir essa missão. Além de os locais favorecerem o encontro com diversos animais, também oferecem ao cachorro a possibilidade de brincar e ser paparicado. “Quem nunca saiu para passear com o cachorro e viu alguém se encantar por ele e se aproximar para fazer um carinho?”, questiona o adestrador da Tudo de Cão, incentivando a troca positiva. Se o seu amigo é um tanto avesso a novas amizades, é possível acabar com a “birra” aos poucos. Levá-lo com você à padaria ou ao pet shop é uma aposta válida à socialização. “É uma maneira de estimular o animal a curtir os passeios e adorar conhecer outras pessoas”, ensina.

 

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